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quinta-feira, 31 de maio de 2018

"A Cozinha dos Amigos" - Camarão no Forno da Nanda


Há amigos que não conhecemos mas que sentimos algumas afinidades, como o caso da Nanda.
Infelizmente ela já não está entre nós, pois partiu no final de dezembro de 2008.
Ora bem, a Nanda foi uma daquelas pessoas que conheci virtualmente pelo então maravilhoso mundo da Blogoesfera, do final da primeira década do ano 2000. Esses tempos, confesso que me deixaram saudades, tempos idos em que os blogs surgiam como forma de partilha, eram feitos com o coração, muito artesanais, onde pessoas com os mesmos gostos partilhavam num espaço global os seus interesses. Foi assim que nasceu o meu cantinho, com a ajuda de uma amiga virtual, que conheci através do "O Cantinho da Nanda"
Hoje passados 10 anos os blogues são mais bonitos, visualmente apelativos, mas perderam esse encanto, sendo meras montras onde o intuito é vender e não partilhar. Enfim, são outras questões que não vale a pena falar, pois cada um é livre de fazer o que quer, havendo exceções como em tudo na vida, como o caso de alguns blogues desse tempo que apesar de terem seguido um rumo profissional mantêm a sua essência, dos quais me mantenho fiel seguidora.
Quanto a mim, faço-o com a mesma essência de sempre, partilhar; pois a minha vida profissional é completamente fora desta área. Sinto-me feliz de saber que muita gente experimenta o que faço e gosta, que aprende com o partilho e isso deixa-me grata. Primordialmente, é acima de tudo o meu livro de receitas pessoal, do que faço, do que gosto, e sempre que preciso de rever alguma receita tenho-a aqui à distância de um clique. Serve para mim e se servir para mais alguém, excelente!
Voltando à Nanda, eu conheci este blogue por acaso, através de uma receita que procurava na altura, e fiquei logo fã do que ela escrevia. Era pessoa genuína e que passava a sua alma para os seus textos, tive pena de nunca a conhecer, mas acreditem ou não, quando soube da sua morte através do mesmo blogue, pela mão da sua filha chorei como se tivesses perdido uma amiga chegada. 
Já lá vão quase 10 anos e é uma daquelas pessoas que penso e recordo muita vez, com carinho, sendo que guardo algumas das suas receitas como as receitas da Nanda.
Por isso e em memória desta amiga virtual partilho uma das suas receitas. Tem honras de constar na " Cozinha dos Amigos", pois a comida é sabor mas também memória de todos, que de uma forma ou de outra, marcaram a minha vida.
A Nanda marcou pela sua beleza interior, pelo sua forma de por alma nas palavras quando escrevia as suas receitas sempre acompanhada de relatos diários da sua vida e tenho a certeza que os seus filhos marcarão a diferença neste mundo pelos valores incutidos pela sua mãe. No pouco tempo que a conheci virtualmente, ela marcou a minha e hoje recordo-a sempre que faço algo que ela fazia, como o caso destes camarões que fazem muita vez parte da ementa cá de casa.
Obrigada Nanda! Tenho a certeza que és estrela no vasto céu! 



Ingredientes:
1kg de camarão ( usei do congelado)
3 a 4 dentes de alho
azeite q.b.
sal q.b
salsa ( usei em vez da salsa, flocos secos de malagueta- 1 c. chá)
1/2 cálice de Vinho do Porto

Preparação:
Retirar a casca aos camarões ( ainda meio congelados, retira-se muito bem), deixando a cabeça e a cauda.
Colocar o camarão num recipiente de levar ao forno.
Temperar com sal. Juntar o alho picado e a salsa grosseiramente picada ( não tinha, substituí por flocos secos de malagueta)
Borrifar com o vinho do Porto e regar com azeite.
Levar ao forno previamente aquecido a 200ºC, até o camarão ficar rosado.
Mais ou menos 15 a 20 minutos.
Servir a gosto.


Bom Apetite!


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Costeletas de Perú no Forno à Moda da Romã


Costeletas de perú? Acho que deve ser a primeira pergunta que fizeram ao ler o título desta publicação, pois o perú não tem costelas!

Ora bem, passo então a explicar a quem desconhece, que as costeletas de perú são feitas através do corte da perna, em fatias, e que dado a sua forma redonda e com osso se assemelham às costeletas normais que vemos à venda.
São um corte que aparece com frequência nos hipermercados, embora nos talhos de comércio local, estas costeletas sejam feitas a pedido.
Aproveito esta receita para partilhar uma história, triste mas que terei que partilhar aqui, pois há muito que ando para contar... o Sr. Paulo, o talhante que me abastecia a carne que consumo em minha casa, faleceu subitamente, em Julho do ano passado. Era um homem na casa dos 40, sempre bem disposto, honesto e com ele aprendi algumas dicas sobre as peças de carne adequadas a cada confecção culinária. Deste 1998 até Julho de 2014 foi o meu talho de confiança. Sabia quais os bifes que o J. mais gostava, preparava-me os frangos, de forma a ter peitos, pernas e coxas e o restante para guisar, cortava o fígado em iscas bem fininhas ao meu gosto, e apesar de inúmeros conselhos que aprendi, não vou esquecer nunca, qual a última peça de carne que me preparou, pois foram exactamente as costeletas de perú. Nesse dia quente de Julho,  tinha eu já terminado as minhas compras e pago inclusive, quando olho para a montra e vejo uma perna de perú; ao qual lhe perguntei porque é que via sempre costeletas de perú nos hipermercados, mas nunca as tinha visto à venda, no talho; ele, prontamente respondeu que as fazia na hora, bastava pedir. Não hesitei e pedi para ele  cortar a perna de perú em costeletas. Nesse dia, despedi-me com um resto de bom fim-de-semana, e que iria na próximo sábado abastecer-me antes de ele fechar para férias, pois em Agosto estaria encerrado. Mal sabia eu, que era a última vez que o via, que me atendia, e que por sinal fez algo que me nunca irei esquecer, sempre que comprar ou fizer costeletas de perú, lembrar-me-ei do Sr. Paulo, do seu sorriso simpático para todos os clientes, pelo atendimento especial às clientes mais idosas, que ele carinhosamente chamava avozinhas. Aos sábados, fosse a que horas fosse estava sempre a casa cheia, as caras que via eram conhecidas, por isso não me admirei do choque que foi quando se soube da notícia.
Estavamos no último fim-de-semana de Julho, passei à porta do talho e estranhei estar fechado, pois as férias seriam na semana seguinte, mas pensei de imediato que algum imprevisto poderia ter acontecido. De facto, aconteceu. Ao chegar ao mercado da fruta, perguntei se sabiam porque é que o talho estava fechado, ao qual me responderam que o Sr. Paulo tinha falecido na 2ª feira, de ataque cardíaco. As pessoas estavam consternadas pelo sucedido e até eu e o J. ficámos sem pinga de sangue. Regressámos a casa incrédulos e com uma tristeza enorme, pois há as pessoas que apesar de não serem família, são parte do nosso caminho, e de facto, ele fez parte do nosso durante 15 anos, aconselhando-nos e servindo-nos a toda a carne de qualidade que consumimos, excusado será dizer que as receitas de carne que fiz e partilhei no blogue eram compradas no seu talho.
Após, este acontecimento fatídico, encontrei um novo talho na localidade onde moro, também de excelente qualidade e confiança, e como tal, independentemente do preço, sou adepta do talho tradicional. Quando procuro, pretendo acima de tudo qualidade e confiança em quem me serve, algo que desconfio nas grandes superfícies. Como a vida é feita de mudanças inesperadas e esta foi uma delas, deixo aqui a minha singela homenagem a quem me ensinou sobre um produto nobre, a carne.

Ingredientes:
1 perna de perú cortada em costeletas (6 a 8)
4 dentes de alho
azeite
1 c. chá  de pimentão-doce ou colorau
sal e pimenta
1laranja
1/2 limão
1 dl vinho branco
gengibre
1 c. chá de mel
1 c. chá de mostarda

Preparação:
Temperar as costeletas de perú com sal, pimenta, os alhos esborrachados, a colher de chá de pimentão doce, um fio de azeite, sumo de 1/2 limão, as ervas de provence e  colocar por cima a laranja em rodelas. Deixar marinar cerca de 1 a 2 horas, para a carne ficar mais macia e saborosa.


No tabuleiro de levar ao forno, deitar azeite a cobrir o fundo.
Dispor as costeletas previamente marinadas.
Ao molho da marinada, juntar uma colher de chá de mel, de mostarda, de gengibre fresco ralado, um pouco de vinho branco e mexer até ficar bem dissolvido. Se necessário juntar um pouco de água.
Verter sobre as costeletas, polvilhar com mais um pouco de ervas de provence.


Levar ao forno, a 170º, cerca de 1 hora. Após esse tempo aumentar a temperatura para 200º e deixar cozinhar mais 30 minutos.
Servir a gosto. Eu acompanhei com Puré de Batata e Batata-Doce e legumes ao vapor.


Hoje ao fazer a receita das costeletas, não poderia deixar de lembrar o Sr. Paulo, fazer uma receita em sua memória. "Sr. Paulo, onde quer que esteja, estas costeletas são para si!"


terça-feira, 3 de abril de 2012

"In Memorium " Quando a vida nos veste de negro...


Todos vivemos momentos tristes e dolorosos na nossa vida, há que saber lidar com eles e Acreditar em dias melhores.

Primavera é Renovação. Páscoa é Ressurreição e Vida.
A morte é apenas uma passagem ...

Hoje nasceu para "nós" mais uma estrela no céu que irá velar por todos os que amou e os que o amaram.
 


Foto: Romã (c)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

In Memorium - João Aguiar

Hoje partilho um bago de romã diferente, um bago de sentimentos, de tristeza e de perda tal, que não poderia deixar de prestar a minha homenagem a João Aguiar, cuja notícia da  morte me emocionou.
Partiu um escritor, dos meu preferidos escritores portugueses, dos quais posso dizer que li toda a sua obra (excepto " O Priorado do Cifrão). Para além disso, tive oportunidade de o conhecer pessoalmente, através do meu marido que adaptou em 1994, a sua obra "A Voz dos Deuses, em Banda Desenhada" (cuja homenagem prestou no seu blogue, ao qual fui buscar a foto), bem como de trocar opiniões sobre os seus livros, que para mim muito me encantaram. Além disso, era um ser humano extraordinário, de uma simpatia e de uma amabilidade que tocam qualquer um que o tenha conhecido.
Estou triste, muito triste pela sua partida. Sei que deixou de estar  entre nós, fisicamente, mas sempre que reler qualquer  livro seu, continuará presente em cada palavra, em cada personagem criada...
Conseguiu a imortalidade na sua obra. "A Voz dos Deuses", "A Hora de Sertório", "A Encomendação das Almas", " O Homem sem Nome", " O Navegador Solitário", "Inês de Portugal", "Comedores de Pérolas e Dragão de Fumo", " Catedral Verde" e "Uma Deusa na Bruma", são alguns dos livros que me marcaram e , que tão bem guardados estão na minha estante, bem como na minha memória.
Até  sempre João Aguiar!